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Fabiana Ecclestone acredita que base forte é o caminho para volta das mulheres à F1

Por Bruna Rodrigues e Erica Hideshima — Rio de Janeiro 03/09/2026 18h00 Atualizado 03/09/2026 NA PONTA DOS DEDOS 14/07/2026 - papo com Rafaela Ferreira, da F1 Academy, e a prévia do GP da Bélgica À frente da vice-presidência da FIA (Federação Internacional do Autom…

Fabiana Ecclestone acredita que base forte é o caminho para volta das mulheres à F1
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Por Bruna Rodrigues e Erica Hideshima — Rio de Janeiro

03/09/2026 18h00 Atualizado 03/09/2026

NA PONTA DOS DEDOS 14/07/2026 - papo com Rafaela Ferreira, da F1 Academy, e a prévia do GP da Bélgica

À frente da vice-presidência da FIA (Federação Internacional do Automobilismo) na América do Sul, Fabiana Ecclestone se tornou uma das maiores lideranças na promoção da presença feminina no automobilismo. A paulista, uma das mentoras da Comissão Feminina de Automobilismo (CFA), falou em exclusividade ao ge sobre os desafios para ampliar a participação das mulheres no esporte e o caminho para que uma delas chegue à Fórmula 1.

Fabiana Ecclestone, em entrevista ao ge — Foto: Divulgação

- A gente só vai ter uma pilota na F1 quando a gente tiver uma base muito estabelecida, uma base muito forte. Por isso é importante o trabalho da FIA com o Rising Stars, o FIA Girls On Track. A gente só vai conseguir selecionar as melhores quando a gente tiver uma quantidade. E a melhor, com certeza, vai conseguir ter essa oportunidade. A gente precisa ter um volume de meninas competentes para ter uma equipe que as selecione. E eu espero que em breve a gente tenha essa menina, pelo menos, já testando ou estando próxima de ser uma pilota de F1 - declarou a advogada paulista.

Embora não seja uma modalidade separada por gênero, a F1 ainda convive com uma histórica ausência de mulheres no grid. Em 76 anos, apenas cinco chegaram a ser inscritas em um grande prêmio e só duas (Maria Teresa de Filippis e Lella Lombardi) chegaram a largar. Lombardi foi a última, 50 anos atrás; ela obteve meio ponto ao ser sexta colocada no GP da Espanha de 1975.

Dezesseis anos depois dela, Giovanna Amati foi a última mulher a tentar se classificar para uma corrida de F1, em 1992. Desde então, a escocesa Susie Wolff foi a última a participar de um fim de semana da categoria, ao disputar quatro sessões de treino livre pela Williams entre 2014 e 2015.

Lella Lombardi foi a mulher mais bem sucedida na Fórmula 1 — Foto: Getty Images

Fabiana Ecclestone se tornou, em 2022, a primeira mulher a assumir um cargo de alta gerência na FIA, nomeada pelo então recém-empossado presidente da entidade, Mohammed Ben Sulayem. Sua trajetória no automobilismo, porém, começou muito antes. A advogada trabalhou por cerca de 25 anos na organização do GP São Paulo de F1, antigo GP Brasil, no qual começou como voluntária.

Em 2011, ela criou a Comissão de Mulheres no Automobilismo, promovendo a causa no esporte a motor por intermédio da Confederação Brasileira de Automobilismo. Hoje, tem como parceiras a piloto Bia Figueiredo, que preside a Comissão Feminina de Automobilismo (CFA), e Rachel Loh, engenheira e líder de projetos de capacitação na Stock Car:

- É um trabalho intenso da FIA, né. Quando a gente começou não tinha muito planejamento. Mas foi assim, no dia a dia, conquistando cada espaço. Está acontecendo um rali no Paraguai (o Rali do Paraguai, entre 27 a 30 de agosto), e durante esses eventos nós temos mesas redondas levando informação para as meninas. Teve um trabalho super importante em uma universidade em Encarnácion, com mais de 200 meninas. Eu me dedico muito a fazer os trabalhos aqui no Brasil e em toda a América do Sul.

Bernie e Fabiana Ecclestone nos boxes de Aurélia Nobels, única mulher no grid de 2022 da Fórmula 4 Brasil — Foto: Marcelo Machado de Melo

Desde então, a FIA ampliou suas iniciativas para atrair e incentivar a participação feminina no automobilismo: entre elas estão o FIA Girls on Track; o Girls on Track - Rising Stars; e a modalidade feminina do FIA Rally Star.

Fabiana explicou que o Girls on Track e o Rising Stars atuam proporcionando, para meninas, uma experiência completa dentro de um autódromo em diferentes áreas do esporte: comunicação, marketing, preparação física, aspectos técnicos e engenharia, e o primeiro contato com os carros.

- Tem muitas histórias de meninas que nunca tiveram acesso a nenhum (carro), entram no kart e conseguem performar. Então, a partir daí, elas começam a se envolver com automobilismo. O Girls On Track é um programa que a gente tenta levar todas as etapas; aconteceu na WEC em São Paulo e também durante a Fórmula 1, a Fórmula E, para dar ideias de profissões ligadas ao esporte a motor e que podem ser desenvolvidas por elas - disse a gestora, acrescentando:

- A gente trabalha incansavelmente para levar esses projetos a todos os países. Alguns estão mais avançados; no Brasil, através da Bia Figueiredo, presidente da Comissão de Mulheres no Automobilismo. Elas fazem projetos e transformam o FIA Girls on Track para a realidade nacional. Ela também faz uma coisa muito interessante, que é tipo um mentorship (mentoria): as meninas vêm acompanhar uma profissional durante um evento. Por exemplo, as meninas acompanham a Raquel (Loh) durante todo o final de semana, para ver o que a Raquel faz, o que engloba esse trabalho.

Giovanni Guerra, Bia Figueiredo e Fabiana Ecclestone em Interlagos no último fim de semana — Foto: Duda Bairros

Nas pistas, iniciativas como a W Series e a F1 Academy surgiram no mundo do esporte a motor com o mesmo objetivo: criar oportunidades para mulheres. A W Series encerrou suas atividades devido a problemas financeiros em 2022, mas a lacuna foi preenchida pelo projeto da Fórmula 1, a F1 Academy.

Também exclusivamente feminina, a F1 Academy é gerenciada pela ex-piloto de testes da Williams, Susie Wolff, e recebeu elogios de Fabiana. Marta García, Abbi Pulling e Doriane Pin foram campeãs da categoria em 2023, 2024 e 2025, respectivamente; Pulling integrava a Academia da Alpine, enquanto Pin é apoiada pela Mercedes. A francesa ainda se tornou a primeira mulher a testar um carro do time.

Doriane Pin à frente do carro da Mercedes — Foto: Divulgação

Fabiana apontou, ainda, a necessidade de um mapeamento mais preciso de mulheres que competem no Brasil e na América Latina, visado manter as atletas no radar da FIA e facilitar o acesso a oportunidades de desenvolvimento:

- A FIA está trabalhando intensamente para ter um número global de pilotos e aí, poder ter o número de meninas. Na Comissão de Mulheres no Automobilismo nós temos uma ideia, mas não temos os números corretos, porque ainda é tudo muito informal. Recentemente eu fiz um Webinar com essa ideia de usar a tecnologia a nosso favor e tentar criar as Comissões de Mulheres no Automobilismo em todos os países da América Latina para daí, ter um número real e ter essas meninas no radar para dar oportunidades. Eu conheço meninas que no drift que são super competentes. Na Copa HB20 tem meninas super competentes também. Temos equipes inteiras de mulheres competindo a nível nacional. Acho que a gente vai ter boas surpresas num futuro bem próximo.

Infos e horarios - GP da Itália da F1 2026 — Foto: Infoesporte