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Análise: do inferno ao céu, Gasly surpreende com pole em Monza depois de perder pódio em Mônaco

Por Rodrigo França, especial para o ge — Monza, Itália 05/09/2026 20h00 Atualizado 05/09/2026 Rodrigo França analisa pole surpresa de Gasly no GP da Itália Nem mesmo Pierre Gasly ou a própria Alpine estavam confiantes em uma pole position em Monza antes deste sábado (5).

Análise: do inferno ao céu, Gasly surpreende com pole em Monza depois de perder pódio em Mônaco
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Por Rodrigo França, especial para o ge — Monza, Itália

05/09/2026 20h00 Atualizado 05/09/2026

Rodrigo França analisa pole surpresa de Gasly no GP da Itália

Nem mesmo Pierre Gasly ou a própria Alpine estavam confiantes em uma pole position em Monza antes deste sábado (5). O resultado histórico surpreendeu a todos, mas tem boas explicações. A primeira é o talento do francês, que tem no tradicional autódromo italiano a sua única vitória na Fórmula 1, também causando bastante surpresa em um GP da Itália, em 2020.

Em um esporte no qual pequenos detalhes fazem diferença, com alguns centésimos de segundo separando os primeiros colocados, o “casamento” do estilo do piloto com um traçado específico ainda impacta a F1. Mas também não podemos esquecer de outro importante fator: o motor Mercedes.

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Pierre Gasly conquista a primeira pole da carreira no GP da Itália de F1 2026 — Foto: Guglielmo Mangiapane/Reuters

Desde os testes de pré-temporada, ficou evidente o salto da Alpine, que no ano passado foi a última colocada no Mundial de Construtores e agora ocupa a sexta posição entre as equipes. A Mercedes começou o ano com amplo domínio nos primeiros GPs, mas logo uma outra cliente começou a incomodar o time: a McLaren, que nas primeiras provas reclamava justamente da dificuldade em extrair o máximo das novas unidades de potência depois da grande mudança de regulamento para 2026.

A Alpine conseguiu um salto no pelotão intermediário e, neste sábado, em Monza, deu um passo ainda maior, com a conquista da primeira pole de Gasly (a primeira de um piloto francês desde Jean Alesi em 1997) e a primeira da equipe desde que ganhou o nome atual – a última tinha vindo em 2009, ainda como Renault, com Fernando Alonso. Mesmo na quarta fila, Franco Colapinto também teve seu melhor grid no ano, mostrando a ascensão da escuderia.

Pierre Gasly conquista a pole position do GP de Monza de F1

A unidade de potência da Mercedes rende bem em Monza justamente por combinar um bom desempenho do motor a combustão com o elétrico. Isso faz com que a recuperação e o gerenciamento de energia sejam os grandes diferenciais, ainda mais em uma pista em que o consumo de energia é um dos maiores do ano, por causa dos longos trechos de reta e aceleração plena.

A pole de Gasly também “lavou a alma” do francês e de sua equipe logo após a decepção de perder o pódio de Mônaco. Ele sofreu a punição por excesso de velocidade no box, que posteriormente foi atribuído a um erro do sistema de cronometragem. A Alpine recorreu, venceu, mas aí seus rivais apelaram e conseguiram voltar ao resultado considerado oficial depois do GP.

Em situações como essa, é difícil falar em justiça – certamente Flavio Briatore não é a pessoa mais indicada a questionar a ética de seus rivais, como fez com a McLaren em plena coletiva da FIA com chefes de equipe em Monza. Mas quis o destino que a alegria de Gasly e dos integrantes da Alpine viesse com um grande resultado conquistado na pista – e sem precisar de tribunais.

Flavio Briatore questiona juiz da FIA por relação com McLaren após Gasly perder pódio

Para o domingo, buscar a vitória será uma missão difícil, mas não impossível. Largando na primeira fila, George Russell segue sendo o favorito a vencer. Ele perdeu a pole por apenas seis centésimos de segundo, o que é bastante frustrante, claro, mas ao menos sai na frente de seus rivais diretos pela vitória e pelo título mundial.

Antonelli largará em 20º e até tentou ajudar Russell no Q3, mas o vácuo do italiano não parece ter contribuído muito. Em todo caso, o líder do Mundial terá que fazer uma corrida intensa de recuperação, buscando sair das típicas confusões do pelotão intermediário para chegar à zona de pontuação. A julgar pelo que Mercedes e Antonelli mostraram nos treinos, um top-5 é uma meta bem realística para o italiano, minimizando um prejuízo especialmente se Russell e Hamilton tiverem corridas mais desafiadoras.

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Gasly, Russell e Piastri fecham o top 3 do grid no GP da Itália de F1 — Foto: Guglielmo Mangiapane/Reuters

O sábado também ficou marcado por bom desempenho de Oscar Piastri, que fez o terceiro lugar na classificação. Embora tenha sido punido com três posições no grid, pode lutar por um pódio neste domingo, comprovando a ascensão da McLaren nas últimas corridas. A equipe vem de duas vitórias seguidas de Lando Norris, que, por sua vez, fez uma classificação tumultuada, conseguindo apenas o oitavo tempo em Monza.

Decepção também para a Ferrari, que era apontada como favorita para brigar pela pole e terá apenas Charles Leclerc na segunda fila e Lewis Hamilton na terceira. O desempenho da escuderia de Maranello em ritmo de corrida deve ser melhor, já que, em volta lançada, o time ficou abaixo do esperado na prova em casa – Hamilton não foi eliminado do Q2 por apenas um milésimo de segundo.

Quem quase tirou o britânico foi Gabriel Bortoleto, que teve um ótimo rendimento na classificação. Em uma pista que teoricamente é a mais difícil do ano para a Audi, por causa da deficiência da unidade de potência do time estreante (algo natural para uma equipe que fez do zero seu motor para o complicado regulamento 2026 da F1), o brasileiro ficou a apenas 0s001 do Q3. Em todo caso, vai largar em décimo por conta da punição a Antonelli e, assim, já sai de dentro da zona de pontuação, com boas chances de conquistar mais uns pontos no campeonato.

Gabriel Bortoleto é eliminado no Q2 por apenas 0s001 na classificação do GP de Monza

E o meu palpite de pódio vai ser: George Russell em primeiro, Piastri em segundo e Leclerc em terceiro.