Por Guilherme Macedo — Belo Horizonte
07/09/2026 03h00 Atualizado 07/09/2026
O Cruzeiro conseguiu um respiro depois das eliminações dolorosas para Flamengo e Atlético-MG, na Libertadores e Copa do Brasil, respectivamente. Venceu o Athletico-PR por 3 a 1 e evitou, de forma prática, que a pressão nos mata-matas chegasse ao Campeonato Brasileiro.
"Finalmente, o Cruzeiro fez o dever de casa", diz Fernanda após vitória | A Voz da Torcida
A vitória passou por mudanças que começaram na escalação. Artur Jorge ensaiou alteração de esquema para os jogos mata-mata e a fez nesse domingo. Abriu mão de Wesley e usou Matheus Henrique como mais um homem no meio. Foi positivo.
A situação gerou crescimento coletivo da equipe, que conseguiu ter mais aproximações para jogar e também para evitar que o Athletico jogasse. Não foi perfeito, mas melhorou muito em relação aos últimos jogos.
O primeiro tempo foi aberto, com chances de ambos os lados. O Cruzeiro conseguiu chegar com mais homens ao ataque, tendo como destaque a aproximação de Gerson e as chegadas de Lucas Romero como elemento surpresa. Presenças permitidas graças ao novo esquema.
Na marcação, o Cruzeiro também esteve mais inteiro para disputar a bola e ter sucesso no famoso "perde-pressiona", ponto forte dos times de Artur Jorge. Ainda cedeu espaços na frente da área, mas em cenário menos caótico do que em jogos recentes.
O gol de Matheus Pereira deu ao Cruzeiro a oportunidade de colocar o jogo à sua forma. O empate adversário e o pênalti perdido pelo camisa 10, ainda no primeiro tempo, trouxeram ao cenário um “dejà vú” dos clássicos com o Atlético, mas o segundo tempo foi de afirmação e fez o time merecer os três pontos.
Coletivamente, a metade final do Cruzeiro foi mais equilibrada. O Athletico assustou somente em duas transições, paradas pela qualidade de Otávio. Ofensivamente, não teve volume grande de chances claras, mas controlou a posse e ganhou graças aos meias. Gerson e Pereira criaram o gol de Lucas Romero, responsável por acionar Kaio Jorge no pênalti sofrido.
Não é acaso que o quarteto de meias tenha se destacado em campo. O crescimento deles e do time está totalmente interligado, e a atuação no Mineirão deixa uma lamentação maior ainda sobre as escolhas de Artur Jorge para as copas.
Lucas Romero - Cruzeiro x Athletico - Brasileirão - Mineirão — Foto: Gilson Lobo/AGIF
Para Libertadores e Copa do Brasil, a mudança não pode ser mais feita, mas ficou claro que ela pode ajudar o Cruzeiro a manter a rotação alta no Campeonato Brasileiro. Neste ponto, a comissão fez o que tinha de fazer e conseguiu contribuir com o resultado, evitando desgaste ainda maior no ambiente do clube.
A pressão vai seguir colada ao Cruzeiro até dezembro, e os últimos dias mostraram que, dificilmente, alguém vai passar ileso das cobranças. Fato é que somente os três pontos, a cada rodada, vão amenizar o clima. O primeiro passo foi dado.